Fenômeno climático pode afetar produção agrícola, disponibilidade de alimentos e custos, exigindo planejamento e flexibilidade
O avanço do El Nino – fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacifico – acende um sinal de atenção para diferentes setores da economia, entre eles, o segmento de refeições coletivas.
Responsável por fornecer alimentação diária em empresas, hospitais, escolas, universidades e indústrias, o setor deve enfrentar um período desafiador com o avanço do fenômeno em terras brasileiras. As projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam um El Nino forte entre a primavera e o verão de 2026, com uma probabilidade de 90% de permanência até o início do próximo ano.
Com isso, instabilidade nos preços dos alimentos, além de impactos sobre a cadeia de abastecimento e reforços em estratégias que garantam qualidade, segurança alimentar e equilíbrio operacional estão entre os pontos que devem merecer atenção.
“O fenômeno pode afetar a produção e, por consequência, a disponibilidade de certos alimentos, aumentando os custos de aquisição de matérias-primas usadas na preparação de refeições, por exemplo”, explica João Paleóloge Guimarães, da ABERC.
Reflexo direto
Para o mercado de refeições coletivas, os efeitos do El Nino podem chegar à operação principalmente por meio da cadeia de suprimentos, com elevação dos custos dos alimentos, maior volatilidade dos itens e eventual necessidade de adaptação dos cardápios.
A agricultura está entre as atividades mais sensíveis ao fenômeno já que afeta o volume e a distribuição de chuvas. Culturas como arroz, feijão – o prato tradicional do brasileiro – assim, como hortaliças, frutas e legumes tendem a sofrer oscilações de oferta.
O potencial impacto do fenômeno tem sido acompanhado por órgãos do governo. Em agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou a abertura de crédito extraordinário para ações relacionadas à mitigação dos efeitos do El Nino sobre o abastecimento e segurança alimentar no país. Ainda segundo o INMET, o cenário previsto é de chuva acima da média na região sul do país, em contrapartida aos estados do centro-norte, com períodos de seca. No Brasil como um todo, a estimativa é de de temperaturas acima da média.
Outro ponto de atenção consiste nos impactos dos eventos climáticos extremos no processo logístico. Chuvas intensas, alagamentos, interrupções de estradas e dificuldades de transporte podem afetar prazos de entrega e a regularidade de abastecimento. “Por isso, planos de contingência e fornecedores alternativos podem ser importantes para garantir a continuidade das operações”, explica João.
Planejamento é alma do negócio
Em um cenário de instabilidade climática, a gestão de estoques e compras passam a ocupar um papel estratégico. Acompanhar as previsões meteorológicas e de produção de itens permite às empresas antecipar possíveis dificuldades logísticas, antecipar riscos e desenvolver alternativas capazes de garantir regularidade, qualidade e eficiência na oferta de refeições.
“Em refeições coletivas, neste momento mais ainda, o planejamento precisa estar conectado à operação. O cardápio é definido com antecedência, mas deve existir capacidade de adaptação diante de eventuais problemas, como mudanças na oferta. O desafio estará em reunir capacidade de adaptação e equilíbrio entre custo, disponibilidade, valor nutricional e segurança alimentar”.
Sobre a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas
Fundada em 11 de fevereiro de 1984, a ABERC congrega as empresas prestadores de serviço, responsáveis pelo fornecimento de refeições coletivas no Brasil.
O segmento alimenta 40,5 milhões de brasileiros por dia, movimentando R$ 41,1 bilhões por ano, atendendo indústrias, hospitais, escolas e estabelecimentos prisionais, com operações que funcionam além de dias úteis. Ao todo, é responsável por empregar 350 mil pessoas diretamente e mais de 1 milhão de postos de trabalho indiretos.